Cimento Queimado: Utilize-o como um aliado!

  A aplicação de juntas de dilatação, execução de camada drenante em brita e adição de impermeabilizante à argamassa de regularização são alguns dos procedimentos indicados.

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O cimento queimado parece atravessar o tempo sem sair de moda. Não é à toa. O acabamento é prático, tem ótimo custo-benefício e prima pela versatilidade. A queima, como explica a engenheira Alessandra Lorenzetti, pesquisadora do Laboratório de Materiais de Construção Civil do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), consiste em jogar cimento em pó sobre o piso de argamassa ainda em estado fresco.

 

TÉCNICAS DE EXECUÇÃO

Para conferir proteção adicional à superfície do piso de cimento queimado é recomendada a aplicação de camada de resina acrílica à base de solvente e impermeabilizante para proteger o piso da ação da água

Embora pareça simples, todo o processo deve seguir um passo a passo cuidadoso. O acabamento cimentício pode ser aplicado tanto sobre bases recém-executadas quanto sobre contrapisos já existentes. Na primeira situação, a argamassa seca é polvilhada sobre a argamassa de regularização ainda fresca e, posteriormente, alisada com desempenadeira metálica lisa, preferencialmente nova. “As bases devem ter idade de até seis horas para o lançamento da mistura seca. Base e acabamento devem curar juntas”, orienta Paulo Michelazzo, professor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

A proporção indicada pelo profissional para o acabamento combina uma parte de cimento Portland branco estrutural, uma parte de pó de mármore ou pó de quartzo mais pigmento colorido em pó (pó Xadrez), adicionado até que se atinja o tom desejado. “A cor tende a ficar ligeiramente mais escura após a aplicação e secagem”, lembra.

Para bases já existentes, a primeira medida é a limpeza, livrando o contrapiso de gorduras, produtos químicos e pó. Em seguida, aponta o professor, a superfície deve receber uma nata de cimento Portland comum, adesivo PVA e água (traço 1:0,25:5 em volume). É fundamental, ressalta Paulo, que o contrapiso seja poroso e a aplicação do acabamento ocorra antes da secagem da nata. A massa do cimento queimado aqui é úmida: a mistura adicionada de água deve ter consistência de pasta homogênea, explica. Feito o lançamento, passa-se à regularização com desempenadeira.

Em ambas as situações, a recomendação é que a espessura do acabamento não ultrapasse 2 até 3 mm. Paulo acrescenta: “O processo de cura deve ser úmido, ou seja, deve-se prever um anteparo para a incidência dos raios solares e ventos durante as primeiras 72 horas após o lançamento”. E, por mais quatro dias, a superfície deve ser umedecida a cada 8 horas e ganhar cobertura de manta geotêxtil ou sacos de estopa. A utilização de plástico não é recomendada, diz o instrutor do Senai.

 

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PATOLOGIAS MAIS COMUNS X COMO EVITÁ-LAS

É fundamental que o contrapiso seja poroso e a aplicação do acabamento ocorra antes da secagem da nata. A massa do cimento queimado aqui é úmida: a mistura adicionada de água deve ter consistência de pasta homogênea. Feito o lançamento, passa-se à regularização com desempenadeira

“Como a utilização de cimento queimado resulta em um piso monolítico, formado por grandes panos sem rejuntes, deve-se tomar cuidado com a formação de fissuras. Também pode ocorrer variação na coloração do piso que, em excesso, confere o aspecto de superfície manchada em vez do aspecto natural rústico esperado para o material”, aponta a engenheira Alessandra Lorenzetti, do IPT.

TRINCAS – Para minimizar o aparecimento de fissuras, o recurso principal é a aplicação de juntas de dilatação, de maneira a formar panos de seção quadrada, com dimensões de 1,5 m a 2,0 m, orienta Alessandra. “Após a conclusão, as juntas são praticamente imperceptíveis, formando uma malha quadriculada de pequenas linhas discretas no piso.”

Segundo Paulo Michelazzo, as juntas, preferencialmente de material plástico, são inseridas na base, deixando-se de 2 a 3 mm acima desta. “Outra ‘junta’ indicada são os ladrilhos hidráulicos, que podem ser aplicados formando quadros ou molduras”, diz.

Atenção também deve ser dada às condições climáticas no dia da execução do acabamento. Umidade relativa do ar abaixo dos 40% e temperatura acima dos 25 graus Celsius aumentam a probabilidade de aparecimento de trincas superficiais, alerta o professor do Senai.

MANCHAS – “Em todo corpo que contém cimento, a tonalidade vai variar em função do tempo de secagem. Áreas que curam mais rápido tendem a ficar mais claras, enquanto aquelas que demoram mais para secar tendem a assumir tons mais escuros. Em superfícies muito grandes, não há como unificar o processo secagem, por isso surgem as diferenças de tonalidade”, detalha Paulo, explicando que o piso queimado branco é um dos únicos que apresenta maior regularidade de cor.

 

É importante diferenciar essa característica natural da solução de manchas (ou esbranquiçamento) causadas pela umidade avinda do solo. A prevenção desta patologia, diz Paulo, envolve a execução de camada drenante em brita e adição de impermeabilizante à argamassa de regularização, sempre que a base for lançada diretamente sobre o solo.

DESPRENDIMENTO DO ACABAMENTO – Pode ocorrer o destacamento da camada de acabamento da base em argamassa. Evita-se o problema, respeitando as regras de aplicação do cimento queimado sobre a base recém-executada e, no caso de bases existentes, com a aplicação da nata de cimento como ponte de aderência.

 

ACABAMENTO E MANUTENÇÃO

Para conferir proteção adicional à superfície do piso de cimento queimado, Alessandra, do IPT, recomenda a aplicação de camada de resina acrílica à base de solvente e impermeabilizante para proteger o piso da ação da água. Como medida de manutenção, o ideal é aplicar cera incolor, regularmente, indica Paulo.

A aplicação de juntas de dilatação, execução de camada drenante em brita e adição de impermeabilizante à argamassa de regularização são alguns dos procedimentos indicados.

 

Texto: Graziela Silva

Revista Digital AECweb